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O ESCARAVELHO SAGRADO

O VELHO ESCARAVELHO MORRE, mas do ovo que fecundou sai outro escaravelho, como a alma se escapa da múmia e sobe para o céu. Assim, o inseto era, para os egípcios, o símbolo da vida que se renova eternamente a partir de si mesma.

O RADICAL EGÍPCIO KHEPER significa várias coisas, dependendo do contexto, principalmente o verbo criar ou transformar, e é também a palavra para escaravelho. É ainda interessante salientar que a palavra egípcia que significa aquele que vem a ser é homófona de escaravelho e este tornou-se símbolo do deus ao vir a ser, do Sol nascente, da recapitulação diária da criação.

AQUELE QUE EM VIDA trouxesse consigo uma imagem do escaravelho garantia, de certa forma, a persistência no ser e aquele que levasse essa imagem para a tumba tinha certeza de renascer para a vida. O escaravelho era, assim, o amuleto preferido de vivos e mortos. Os guerreiros, por exemplo, traziam um brilhante escaravelho gravado no selo de seus anéis.

Quem sou eu

Minha foto
Uma taurina tão persistente que chega às raias da teimosia.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Saudades do Acre

Acabei de ler o post da Cora Rónai "http://cora.blogspot.com/2010/05/chegaram-varios-feijoes-do-acre.html", dizendo ter recebido feijões do Acre. Lendo o registro, vendo os feijões me bateu uma saudade e desandei a fazer um texto longo, como comentário no blog dela... "Já estou com saudades!! Estivemos no final de abril em Assis Brasil, Acre. Pensa você em uma varanda, Pausada Ecológica, olhando para a direita, Peru, para a esquerda, Bolívia. Sim, estava justamente naquele "biquinho" do mapa do Brasil. Fomos inaugurar dois telecentros, numa atividade de inclusão digital/social que a empresa em que trabalho realiza. Na cidade, Assis Brasil, inauguramos o telecentro, com 10 micros. Antes da "solenidade" de inauguração, já tínhamos vários usuários da comunidade, como crianças/alunos, irmãs de caridade, e policiais. Esse policial estava já há quatro meses sem receber o valor da bolsa de qualificação do Programa PRONASCI, do Ministério da Justiça, por não conseguir acessar os módulos educacionais. Pronto, lá estava ele se inscrevendo nos módulos e confiante na retomada do recebimento dos valores da capacitação.
O segundo telecentro foi a 35km adentro da floresta amazônica, na Reserva dos Seringueiros de Icuriã. Chegamos ao mesmo tempo com a luz (Programa LUZ PARA TODOS/MME), com a internet (SIPAM, sinal do satélite de segurança da amazônia/PR) e com os 10 computadores. Imaginem o frisson que causamos principalmente nas crianças (há uma escola com 150 crianças dos seringueiros). Também havia uma empresa francesa que iria comprar toda a produção de borracha a um valor de R,00, quando eles vendem hoje por até R,00. Nossa empresa consolida todos os programas do governo federal, voltados para os municípios, e realiza ação conjunto, beneficiando a comunidade local com o que há de disponível centralizadamente. A aventura foi "entrar" na floresta, após meses de invermo (o seringueiro compra tudo o que pode, até o feijão que a Cora recebeu, e não sai de lá, até a chuva passar). Bom, chegamos exatamente após esse período chuvoso. Eu que sou extremamente urbana, ver aquele lamaçal todo, as picapes rodopiando e lutando contra a lama, foi uma experiência e tanto. Hoje estou pronta para qualquer raly que vier. Tb. fiquei sabendo que naquele estado não tem pedra, brita, cascalho - imagine então como era a lama...
Desculpe-me o texto longo. Ao ver os feijões e a referência ao Acre, não pude deixar de me empolgar com a aventura que passamos, o orgulho de fazer diferença. Aquela borracha que os Franceses tanto cobiçam, nada mais é que um resultado de 15 anos de pesquisa do Prof. Pastore, da Universidade de Brasília - ele identificou que na fumaça resultante do fogo que os seringueiros provocavam, para coagular o latex, é que existia um componente responsável pela tal coagulação - conclusão - ele isolou esse componente e o serigueiro praticamente eliminou todas as etapas de industrialização, inclusive a fase da usina, vez que ele mesmo pode tratar e beneficiar a borracha e vender diretamente ao cliente... Esse Brasil é tão grande, são tantas novidades, inovação e ações cidadãs, que nem a velocidade da internet consegue acompanhar e divulgar de modo acertado..."
Lá, no Blog da Cora, não conclui dizendo das belezas do Estado e da simpatia daquele povo simples, verdadeiro e caloroso. Também não disse da tristeza de ver longos trechos da floresta desmatados para a ocupação do gado de corte.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

5ponto0 na Escala da Vida

No último dia 04 completei a marca de cinco.ponto.zero na escala da vida. Dias antes, brinquei sobre isso, comparando com a Escala Richter - se fosse um terremoto, daria um bom estrago! Bom, se foi uma premonição, não sei mas estou ficando preocupada. Logo no dia 04, recebi uma notícia me avisando que seria avó. Até aí, tudo bem, adoro criança. Logo eu, que queria ter uns 10 e parei no terceiro, ter mais um como neto, não seria nada mal. O que começou a complicar foi o aniversário da amiga, que completa no dia 14, sexta-feira. Confirmei e-mail/convite, registrei algo bem legal no Orkut, etc, etc. No sábado, comprei um presente legal, cuidei de todos os afazeres (deixamos tudo para o sábado: feira, cabeleireiro, exames, consultas, etc) e nesse sábado, especialmente, acumulei tudo o que podia. Chego em casa às 19h, abro novamente o convite, copio o endereço - já fui na casa dela várias vezes mas, por via das dúvidas, melhor anotar. Vai que dá um branco - é o bloco E ou F mesmo? Fico sem paciência comigo mesma e a noite acaba. Bom, copio o endereço, me arrumo, pego a sacolinha do presente, me despeço da filha e mãe e vou para a festa. Veja o mico. Chego na portaria do prédio, digo ao porteiro o n. do apto. ele interfona, interfona e nada... diante da cara que faço, ele fica sem jeito. Diz que vai abrir a portaria para eu subir e bater na porta, para ver se a dona acorda... diante disso, e só diante disso, veja que algo está errado. Digo a ele que não abra a portaria, pois havia esquecido um documento no carro e mais tarde voltaria. Corro pro carro, vou prá casa e acesso novamente o tal e-mail/convite, só que desta vez, e somente desta vez, não procuro o campo do endereço, vou direto ao campo da DATA e veja petrificada, que o aniversário ocorreu na sexta-feira e não no sábado !!
Que situação horrível, não me perdoei até hoje por esse mico! Isso será uma constante e efeito do 5ponto0?

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Strani Amori



Strani amori / Estranho Amor

Mi dispiace devo andare via / Me desculpe devo ir embora
Ma sapevo che era una bugia / Mas sabia que era uma mentira
Quanto tempo perso dietro a lui / Quanto tempo perdido atrás dele
Che promette e poi non cambia mai / Que promete depois nunca cumpre
Strani amori mettono nei guai / amores que nos metem em problemas
Ma, in realtà, siamo noi / Mas na realidade, somos nós.

E lo aspetti ad un telefono / E na espera de um telefonema
Litigando che sia libero / Brigando para que esteja livre
con il cuore nel lo stomaco / Com o coração no estômago
Un gomitolo nell’angolo / E um nó na garganta
Lì da sola, dentro un brivido / Ali sozinho, dentro um arrepio
Ma perché lui non c’è / porque ele não está

E sono strani amori che / E são... Estranhos amores que
Fanno crescere e sorridere / Fazem crescer e sorrir
Fra le lacrime / Entre as lágrimas
Quante pagine lì da scrivere / paginas ali para escrever
Sogni e lividi da dividere / Sonhos e marcas para dividir.
Sono amori che spesso a questa età / São amores freqüentes a esta idade
Si confondono dentro a quest'anima / Se confundem dentro desta alma
Che si interroga senza decidere / Que se interroga sem decidir
Se è un amore che fa per noi / Se é um amor que se faz por nós

E quante notti perse a piangere / E quantas noites perdidas a chorar
Rileggendo quelle lettere / Relendo aquelas cartas
Che non riesci più a buttare via / Que não consegue mais jogar fora
Dal labirinto della nostalgia / Do labirinto da saudade
Grandi amori che finiscono / Grandes amores que terminam
Ma perché restano nel cuore / Mas que ficam, no coração

Strani amori che vanno e vengono / Estranhos amores que vão e voltam
Nei pensieri che lì nascondono / Nos pensamentos que os escondem
Storie vere che ci appartengono / Histórias verdadeiras que nos pertencem
Ma si lasciano come noi / Mas se deixam como nós

Strani amori fragili / Estranhos amores frágeis
Prigionieri, liberi / prisioneiros livres
Strani amori mettono nei guai / estranhos amores que nos metem em problemas
Ma, in realtà, siamo noi / mas na realidade, somos nós

Strani amori fragili / Estranhos amores frágeis
Prigionieri, liberi / Prisioneiros livres
Strani amori che non sanno vivere / Estranhos amores que não são sadios de viver
E si perdono dentro noi / E se perdem dentro de nós

Mi dispiace devo andare via / Me desculpe devo ir embora
Questa volta l’ho promesso a me / Desta vez prometo a mim
Perché ho voglia di un amore vero / Porque quero um amor de verdade
Senza te / Sem você.

segunda-feira, 8 de março de 2010

AO POVO DO HAITI

Conheçam as ações que o JARDIM BOTÂNICO DE BRASÍLIA está realizando para ajudar o povo do Haiti "www.fraternidadeaohaiti.org.br". Participem, divulguem !!

terça-feira, 2 de março de 2010

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2010

O QUE VOCÊS ACHAM DO ASPECTO PSICOLÓGICO/FINANCEIRO DESSA CAMPANHA?
Resposta ao texto ARMELINO GIRARDI , ECONOMIA E VIDA. Sr. Girardi, recebo sempre seus texto e gosto muito - são de qualidade e trata de temas super atuais, considerando que sou uma potencial "aposentada". Entretanto, em se tratando desse assunto da Campanha da Fraternidade "ecumênica", à princípio, o slogan assusta para quem busca deixar o nariz a uma certa distância do nível da água, em se tratando de dívidas e conforto financeiro. Imagine um brasileiro comum, mas comum "mesmo", criado sob a égide da igreja católica, onde tudo é pecado, é dogma ou mistério da fé - não sobra nada para refletir e ou ficar sob seu livre-arbítrio.
Imagine minha mãe, com 83 anos, católica ferrenha, perfil do "brasileiro comum", me vendo nos dias atuais, morando com ela, com 3 filhos, executiva de uma empresa, exercendo nível médio para superior de gestão, ganhando super bem, para a média, da média do brasileiro, recém-divorciada, cheia de dívidas e correndo atrás para equilibrar as dívidas, apaziguar o coração dos filhos que, independente da idade, sei que sofrem com a separação dos pais, depois de um casamento de 30 anos... Bom, imagine minha mãe, me vendo nessa situação de extrema necessidade material, ver a campanha da fraternidade, onde o slogan é VOCES NÃO PODEM SERVIR A DEUS E AO DINHEIRO !!
Ora, de início, fiquei super revoltada com esse grupo ecumênico que, do alto de suas batinas, suas togas e sei lá o que mais, esqueçem completamente a história do brasileiro que, cheeios de complexos, baixa auto estima e por ai vai, soltar uma frase desse tipo é, no mínimo.... um grupo estrangeiro. Extraterreste.
Fiquei tão furiosa, que sentei no computador para escrever no blog o absurdo da lufada de indignação que senti mas, ao olhar o teclado, parei e racionalizei a situação - como uma pequena reportagem de TV pode me levar a um entendimento de uma Campanha da Fraternidade, que entendo ser séria - tem até o gracinha do Prof. Paul Singer que adoro e conheço pessoalmente, pode estar tão fora de foco e intenção. Seria leviandade de minha parte, escrever sobre algo que vi, sob um pequeno prisma.
Então... pesquisei tudo na internet sobre o assunto e vi que realmente a campanha é necessária e que a economia deve ser um instrumento à nossa qualidade de vida e não um fim em si mesma. Mas como colocar isso para os milhões de brasileiros? Usamos a velha regra da censura, do pecado, da repressão. Mesmo entendendo o escopo da campanha, o marketing utilizado é velho, rançoso e nada criativo. A nova geração não conseguirá alcançar a mensagem, a não ser que tenha uma mãe como a minha, que consiga traduzir o slogan..., pois é uma frase baixo-astral, é super pessimista e perdedora. Tenho certeza que Deus não quer que tenhamos esse sentimento negativo, quando estudamos, procuramos nos capacitar melhor, procuramos amealhar recursos para beneficiar nossos filhos, nossa família. Tenho certeza que Deus não nos dará um cascudo se formos previdentes e acumularmos ativos para uma futura velhice e aposentadoria. Claro, temos que glorificar o senhor em tudo que fazemos e recebemos mas, sem culpas. É por isso que o americano, em seu pragmatismo e protestantismo, evoluiu em muito no aspecto material - não sentem culpas por querer mais, por querer ser o melhor, por querer mais e mais. Além da campanha deturpar Mateus, eles esqueceram que Deus tb. disse FAÇA DA SUA PARTE, QUE DA MINHA EU AJUDAREI...
Parece que essa campanha é coisa arquitetada. Não posso admitir um slogan desse. Se a campanha tem o cerne bem estruturado, não deveria admitir um slogan desse. Tem algo errado!
Agora que a economia está praticamente estável, saímos daquele redemoinho de inflação que tudo comia... Agora que podemos respirar e buscar resultados, tranquilidade e grande qualidade de vida para nossa familia, vem uma frase que nos diz estarmos errados? Sei, por mais que digam que não é, sei que não é essa intenção, mas ficará no coração de cada um religioso - se tiver dificuldade e buscar uma saída, sempre terá alguém para dizer = não se preocupe, você está onde deveria estar (com todos esses problemas), mas não corra atrás de uma solução. Você não pode servir a Deus e ao dinheiro !!
Não entendo como o Governo Federal deixou passar uma campanha assim, visto que eles estão justamente, para soltar uma campanha sobre educação financeira. Estão preocupados com a ignorância do brasileiro - já viu quantos estão apostando na bolsa de valor? Eles, o restante, morrem de medo !! Meu pai, se não for imóvel, nem fala com você sobre investimento. Ótimo, ele tem 84 anos e sobreviveu ao período inflacionário e conseguiu reter o valor do dinheiro adquirindo imóvel. Vá contar para ele que a situação mudou, que o mercado financeiro mudou.... nem pensar.
Como especialista em marketing que sou, vejo essa campanha maravilhosa, com um slogan tão obtuso, que penso se parecer com uma grande campanha de um produto da coca-cola, voltada para diabéticos, mas seu slogan diz = SE CONSUMIR, AÇÚCAR MATA!! Ora, se uma campanha é justamente para o segmento dietético, como seu slogan MATA completamente o uso do produto? Como uma campanha da fraternidade, que tem todos os motivos e motivações para produzir no brasileiro um sentimento de igualdade, de inclusão, de reconhecimento, de pertencer, ele se sente comendo o bolo fora de hora e se sente envergonhado por gostar de dinheiro, querer dinheiro e buscar freneticamente o dinheiro? A questão do slogan não deve ser essa e sim, ter inteligência financeira, saber que o dinheiro não é um fim e, sim, instrumento para sua felicidade e qualidade de vida. Então, mais uma vez, isso prova que o slogan foi de uma infelicidade astronômica. Isso traduz que o grupo dito como "ecumênico" também precisa ser reciclado, entender sobre dinheiro e sobre Deus, para dar uma imagem positiva sobre ambos.
A época do chicote já passou. Nossos filhos, geração Y e Z não suportam e nem aceitam tal chibatada... então essa campanha é para um grupo em que minha mãe, meu pai, o prof. Paul Singer e outros estão? Nós estamos no final do caminho e queremos deixar um rastro proibitivo, negativo, repressor, para que outras nações mais esclarecidas dominem os jovens que aqui deixaremos? Somos tão ruins assim, que nem os jovens conseguirão elevar nosso moral, nosssa auto estima e apreço pelo bem viver, pelo conforto, pela educação, pelo esclarecimento. Enfim, pelo olhar no espelho (Deus) e não termos vergonha de ver o que somos, do que buscamos...?
Entendi o cerne, o escopo, a boa-vontade da campanha, mas seu marketing, sua mensagem, seu slogan são de uma infelicidade só. Agora sim, posso sentar no computador e, sem me sentir leviana, dizer que sou contra a capa, a casca da campanha. Que bolem, criem, outra forma de chegar ao brasileiro comum. Talvez devessem pedir ao Lula e ou à Marina para dizerem um frase de efeito, que comunicassem com os brasileiro, visto que os ditos doutos da doutrina não conseguiram.
Ah! e tem mais, acha que alguém irá levantar algo contra? Imagine ir contra um grupo tão engajado, tão cristão, tão sabedores das necessidade humanas, nem pensar!! Se nos rebelamos, é por que queremos "servir ao dinheiro". Não sobra uma alternativa. Ou você está errado, ou você está errado e ponto.
E tem mais, esse slogan não favorece em nada a estratégia do governo. Os coitadinhos dos brasileiros migraram todos para a poupança, quando uma marolinha apareceu no céu brasileiro. O governo até ameaçou em sobretaxar a poupança, para evitar essa migração. Queremos continuar reféns do capital estrangeiro? Já viram a quantidade de americano, tidos como comuns, que aplicam na bolsa e vivem de dividendos? Precisamos de uma campanha bem "up", que eleve o ego do brasileiro, que o faça enxegar como possível, como competidor. Quando pensamos estar na crista da onda, vem essa campanha (slogan), que nos diz que buscar dinheiro é ruim, é pecaminoso, é não servir a Deus.
Essa campanha nasceu com um problema sério de personalidade, que temos buscar imediatamente esclarecer, elucidar e, principalmente, capacitar seu "publico-alvo" para entender as nuançes do que realmente se pretende informar.
Desculpe-me o texto tão longo mas, se sou de classe média alta, que passa por uma dificuldade de curto prazo, imagine um "brasileiro comum" que ouviu, degustou e assimilou essa mensagem do slogam? Melhor pensar nos pássaros que não precisam fiar, plantar e colher, para subsistir. Tudo Deus prove.Aí sim, não precisariamos mover uma palha, que tudo cairia em nosso colo. Veja a importância das palavras e das imagens que podemos passar para aquele que espera condução completa e total de um ente religioso...
Suzana Castro
blogsuzanacastro.blogspot.comSr. Girardi, recebo sempre seus texto e gosto muito - são de qualidade e trata de temas super atuais, considerando que sou uma potencial "aposentada". Entretanto, em se tratando desse assunto da Campanha da Fraternidade "ecumênica", à princípio, o slogan assusta para quem busca deixar o nariz a uma certa distância do nível da água, em se tratando de dívidas e conforto financeiro. Imagine um brasileiro comum, mas comum "mesmo", criado sob a égide da igreja católica, onde tudo é pecado, é dogma ou mistério da fé - não sobra nada para refletir e ou ficar sob seu livre-arbítrio.
Imagine minha mãe, com 83 anos, católica ferrenha, perfil do "brasileiro comum", me vendo nos dias atuais, morando com ela, com 3 filhos, executiva de uma empresa, exercendo nível médio para superior de gestão, ganhando super bem, para a média, da média do brasileiro, recém-divorciada, cheia de dívidas e correndo atrás para equilibrar as dívidas, apaziguar o coração dos filhos que, independente da idade, sei que sofrem com a separação dos pais, depois de um casamento de 30 anos... Bom, imagine minha mãe, me vendo nessa situação de extrema necessidade material, ver a campanha da fraternidade, onde o slogan é VOCES NÃO PODEM SERVIR A DEUS E AO DINHEIRO !!
Ora, de início, fiquei super revoltada com esse grupo ecumênico que, do alto de suas batinas, suas togas e sei lá o que mais, esqueçem completamente a história do brasileiro que, cheeios de complexos, baixa auto estima e por ai vai, soltar uma frase desse tipo é, no mínimo.... um grupo estrangeiro. Extraterreste.
Fiquei tão furiosa, que sentei no computador para escrever no blog o absurdo da lufada de indignação que senti mas, ao olhar o teclado, parei e racionalizei a situação - como uma pequena reportagem de TV pode me levar a um entendimento de uma Campanha da Fraternidade, que entendo ser séria - tem até o gracinha do Prof. Paul Singer que adoro e conheço pessoalmente, pode estar tão fora de foco e intenção. Seria leviandade de minha parte, escrever sobre algo que vi, sob um pequeno prisma.
Então... pesquisei tudo na internet sobre o assunto e vi que realmente a campanha é necessária e que a economia deve ser um instrumento à nossa qualidade de vida e não um fim em si mesma. Mas como colocar isso para os milhões de brasileiros? Usamos a velha regra da censura, do pecado, da repressão. Mesmo entendendo o escopo da campanha, o marketing utilizado é velho, rançoso e nada criativo. A nova geração não conseguirá alcançar a mensagem, a não ser que tenha uma mãe como a minha, que consiga traduzir o slogan..., pois é uma frase baixo-astral, é super pessimista e perdedora. Tenho certeza que Deus não quer que tenhamos esse sentimento negativo, quando estudamos, procuramos nos capacitar melhor, procuramos amealhar recursos para beneficiar nossos filhos, nossa família. Tenho certeza que Deus não nos dará um cascudo se formos previdentes e acumularmos ativos para uma futura velhice e aposentadoria. Claro, temos que glorificar o senhor em tudo que fazemos e recebemos mas, sem culpas. É por isso que o americano, em seu pragmatismo e protestantismo, evoluiu em muito no aspecto material - não sentem culpas por querer mais, por querer ser o melhor, por querer mais e mais. Além da campanha deturpar Mateus, eles esqueceram que Deus tb. disse FAÇA DA SUA PARTE, QUE DA MINHA EU AJUDAREI...
Parece que essa campanha é coisa arquitetada. Não posso admitir um slogan desse. Se a campanha tem o cerne bem estruturado, não deveria admitir um slogan desse. Tem algo errado!
Agora que a economia está praticamente estável, saímos daquele redemoinho de inflação que tudo comia... Agora que podemos respirar e buscar resultados, tranquilidade e grande qualidade de vida para nossa familia, vem uma frase que nos diz estarmos errados? Sei, por mais que digam que não é, sei que não é essa intenção, mas ficará no coração de cada um religioso - se tiver dificuldade e buscar uma saída, sempre terá alguém para dizer = não se preocupe, você está onde deveria estar (com todos esses problemas), mas não corra atrás de uma solução. Você não pode servir a Deus e ao dinheiro !!
Não entendo como o Governo Federal deixou passar uma campanha assim, visto que eles estão justamente, para soltar uma campanha sobre educação financeira. Estão preocupados com a ignorância do brasileiro - já viu quantos estão apostando na bolsa de valor? Eles, o restante, morrem de medo !! Meu pai, se não for imóvel, nem fala com você sobre investimento. Ótimo, ele tem 84 anos e sobreviveu ao período inflacionário e conseguiu reter o valor do dinheiro adquirindo imóvel. Vá contar para ele que a situação mudou, que o mercado financeiro mudou.... nem pensar.
Como especialista em marketing que sou, vejo essa campanha maravilhosa, com um slogan tão obtuso, que penso se parecer com uma grande campanha de um produto da coca-cola, voltada para diabéticos, mas seu slogan diz = SE CONSUMIR, AÇÚCAR MATA!! Ora, se uma campanha é justamente para o segmento dietético, como seu slogan MATA completamente o uso do produto? Como uma campanha da fraternidade, que tem todos os motivos e motivações para produzir no brasileiro um sentimento de igualdade, de inclusão, de reconhecimento, de pertencer, ele se sente comendo o bolo fora de hora e se sente envergonhado por gostar de dinheiro, querer dinheiro e buscar freneticamente o dinheiro? A questão do slogan não deve ser essa e sim, ter inteligência financeira, saber que o dinheiro não é um fim e, sim, instrumento para sua felicidade e qualidade de vida. Então, mais uma vez, isso prova que o slogan foi de uma infelicidade astronômica. Isso traduz que o grupo dito como "ecumênico" também precisa ser reciclado, entender sobre dinheiro e sobre Deus, para dar uma imagem positiva sobre ambos.
A época do chicote já passou. Nossos filhos, geração Y e Z não suportam e nem aceitam tal chibatada... então essa campanha é para um grupo em que minha mãe, meu pai, o prof. Paul Singer e outros estão? Nós estamos no final do caminho e queremos deixar um rastro proibitivo, negativo, repressor, para que outras nações mais esclarecidas dominem os jovens que aqui deixaremos? Somos tão ruins assim, que nem os jovens conseguirão elevar nosso moral, nosssa auto estima e apreço pelo bem viver, pelo conforto, pela educação, pelo esclarecimento. Enfim, pelo olhar no espelho (Deus) e não termos vergonha de ver o que somos, do que buscamos...?
Entendi o cerne, o escopo, a boa-vontade da campanha, mas seu marketing, sua mensagem, seu slogan são de uma infelicidade só. Agora sim, posso sentar no computador e, sem me sentir leviana, dizer que sou contra a capa, a casca da campanha. Que bolem, criem, outra forma de chegar ao brasileiro comum. Talvez devessem pedir ao Lula e ou à Marina para dizerem um frase de efeito, que comunicassem com os brasileiro, visto que os ditos doutos da doutrina não conseguiram.
Ah! e tem mais, acha que alguém irá levantar algo contra? Imagine ir contra um grupo tão engajado, tão cristão, tão sabedores das necessidade humanas, nem pensar!! Se nos rebelamos, é por que queremos "servir ao dinheiro". Não sobra uma alternativa. Ou você está errado, ou você está errado e ponto.
E tem mais, esse slogan não favorece em nada a estratégia do governo. Os coitadinhos dos brasileiros migraram todos para a poupança, quando uma marolinha apareceu no céu brasileiro. O governo até ameaçou em sobretaxar a poupança, para evitar essa migração. Queremos continuar reféns do capital estrangeiro? Já viram a quantidade de americano, tidos como comuns, que aplicam na bolsa e vivem de dividendos? Precisamos de uma campanha bem "up", que eleve o ego do brasileiro, que o faça enxegar como possível, como competidor. Quando pensamos estar na crista da onda, vem essa campanha (slogan), que nos diz que buscar dinheiro é ruim, é pecaminoso, é não servir a Deus.
Essa campanha nasceu com um problema sério de personalidade, que temos buscar imediatamente esclarecer, elucidar e, principalmente, capacitar seu "publico-alvo" para entender as nuançes do que realmente se pretende informar.
Desculpe-me o texto tão longo mas, se sou de classe média alta, que passa por uma dificuldade de curto prazo, imagine um "brasileiro comum" que ouviu, degustou e assimilou essa mensagem do slogam? Melhor pensar nos pássaros que não precisam fiar, plantar e colher, para subsistir. Tudo Deus prove.Aí sim, não precisariamos mover uma palha, que tudo cairia em nosso colo. Veja a importância das palavras e das imagens que podemos passar para aquele que espera condução completa e total de um ente religioso...
Suzana Castro